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Como cuidar das crianças em tempos (tensos) de eleições

  • Foto do escritor: CUIDADO crianças
    CUIDADO crianças
  • 16 de out. de 2022
  • 4 min de leitura

Você quer que suas crianças um dia sejam cidadãos que escolhem representantes políticos com liberdade e discernimento, certo? Então vale a pena considerar algumas questões que estão em jogo no meio das turbulências da campanha eleitoral. Os pequenos estão de olho em você, atentos às suas expressões de simpatia, repulsa ou raiva diante de uns e outros candidatos. É daí que eles começam a tirar elementos para construir sua própria postura política.


Para quem está aprendendo a lidar com sentimentos, não há nada mais importante que ver mães, pais e avós lidarem com o que sentem. Seus principais modelos de vida sorriem, choram e se aborrecem. E não é preciso disfarçar a revolta com aquela maldade cometida pelo candidato do outro lado. Primeiro, porque disfarçar é inútil (a molecada percebe tudo); segundo, porque falar abertamente desses sentimentos, dando-lhes nomes e um contexto humano, é o que torna essa experiência enriquecedora.


TRANSMITA ELEMENTOS PARA PENSAR


Ok, ter uma experiência enriquecedora com as crianças já deixou de ser uma prioridade pra muita gente, que se contenta em manter o próprio equilíbrio emocional nessa rotina de fake news e outras bandidagens. Mas falar sobre os sentimentos com os pequenos não requer tanto esforço, e pode ser benéfico também para os adultos. É claro que não se trata de desabafar ou destampar a fúria contra os adversários, mas não precisa forçar a pose de comentarista político.


As crianças querem saber por que os adultos sentem aquelas coisas, o que fazem com elas e como as encaixam nas suas vidas. É difícil ter respostas no calor da hora, mas depois de respirar é possível contar que mamãe ficou muito brava com aquele candidato que mente e tenta enganar as pessoas, ou que papai está triste e com medo porque um candidato com ideias esquisitas pode se eleger, ou que estão felizes com a perspectiva da eleição de uma pessoa confiável, que pode ser uma boa liderança, capaz de representar e cuidar da coletividade.


O EXEMPLO É O QUE SE SENTE


A raiva, a tristeza e o medo que os adultos sentem são sentimentos incômodos ou dolorosos, mas suportáveis e finitos. E essa é a melhor notícia para os pequenos, que vivem sentimentos brutos, tão intensos que parecem eternos e destruidores. Melhor ainda é saber que raiva, tristeza e medo podem se transformar em força de ação consciente e consequente para a busca de soluções ante problemas e desafios. É isso que se aprende a fazer na infância, quando há espaço para sentir, mostrar e elaborar sentimentos.


A mãe pode contar que aquela raiva passou, e que ela ficou ainda mais disposta a defender seus valores e suas ideias, denunciando as mentiras e apoiando as propostas que lhe fazem sentido. O pai pode dizer que a tristeza e o medo deram-lhe mais força para se manifestar contra as ameaças. Não é o fim da história, ainda haverá fortes emoções ― ruins e boas ―, e é assim que os sentimentos vão sendo assumidos, trabalhados e convertidos em usina de vida.

 

FOCO NA ATITUDE, NÃO NA PESSOA


Nessa conversa não cabe análise de programas de governo nem tampouco o linchamento moral dos adversários. Se existe antipatia ou repulsa por algum candidato, o que importa às crianças é saber o que exatamente provoca esses sentimentos. E aqui entram os valores: “não gosto quando diz mentiras para nos enganar”, “fico com raiva porque não demonstra se importar com a vida das outras pessoas”, “fico preocupado porque acho que algumas de suas propostas podem prejudicar muita gente”...


Repare que o foco está nas atitudes, e não na pessoa do candidato. Primeiro porque isso ajuda a pensar mais livremente, oferece elementos para alguma reflexão própria; e também porque demonizar alguém que pode vir a assumir o poder cria um cenário trágico para os pequenos. Por mais que achem que o bicho papão foi eleito, os adultos podem lidar com isso sem o terror que assola a molecada nas suas fantasias.


O QUE DIZER SOBRE A VIOLÊNCIA


É evidente que, se tiverem a chance de sentir e pensar, os pequenos vão perguntar por que aquela figura diz e faz tanta coisa estranha, que causa sentimentos ruins aos adultos. Num cenário saudável, quando a disputa está entre formas de resolver os problemas da sociedade, bastaria dizer que aquele candidato pensa de um jeito diferente, o que é normal e sempre vai acontecer. Assim, quem ganhar a eleição vai tentar resolver os problemas do seu jeito, com a fiscalização de todo mundo.


Mas quando aquele candidato diz e faz coisas que ofendem valores da própria civilização, não dá pra dizer que é normal. Assim como se diz às crianças que o atirador quis machucar alunos de uma escola porque não conseguia lidar com sua raiva, e então fez algo horrível e proibido, pode-se dizer que o candidato violento não sabe o que fazer com o medo e o ódio que sente. É uma resposta honesta, que aponta o perigo sem vilanizar nem vitimizar.


PARA A PROTEÇÃO EMOCIONAL


Os pequenos precisam saber que existe gente assim, que não teve espaço para processar os sentimentos brutos da infância. E precisam saber que os adultos estão sempre trabalhando para evitar que essas pessoas cometam violências. Às vezes elas acontecem e sofremos, mas superamos e continuamos cuidando para evitar que se repitam. É importante que a molecada sinta que há gente grande vigiando e agindo para manter o perigo longe, esteja onde estiver.


Assim, quando as urnas apontarem o vencedor, haverá essa perspectiva do trabalho contínuo pela vida, seja com tristeza, medo e raiva ou com a alegria da vitória. Se as melhores escolhas políticas são feitas com a razão, é a intensa experiência dos sentimentos que faz o caminho das crianças em direção ao pensamento livre.


David Moisés e Angela Minatti



Livro Prepare as Crianças para o Mundo



Leia também no livro:

O poder do pensamento livre .......... p.129



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