O que faz um brinquedo ser (ou não) educativo
- CUIDADO crianças

- 30 de jan. de 2019
- 2 min de leitura

O que faz um brinquedo, um aplicativo ou um software ser realmente educativo e contribuir para o desenvolvimento da criança? Esta pergunta é respondida por duas pesquisadoras de universidades dos EUA, que organizaram as mais recentes informações de estudos científicos sobre o processo de aprendizado humano e os chamados “brain training” para crianças.
Segundo Brenna Hassinger-Das e Kathy Hirsh-Pasek, podem ser considerados efetivamente educativos os brinquedos, apps e programas que
requerem da criança um processo ativo, e não passivo;
requerem atenção e engajamento, ou seja, não são uma simples distração para a criança;
envolvem temas e questões do dia a dia da criança, que fazem sentido para ela;
requerem interação humana, sem atividades solo;
têm um claro propósito de aprendizado.
Levando em conta estas cinco características aferíveis, é mais fácil saber o que procurar e o que evitar na seção dos “pedagógicos” das lojas.
O mais interessante no artigo, porém, é a constatação de que existe uma característica crucial entre aquelas cinco. As autoras observam que a (4) interação humana é o “elemento crítico” do desenvolvimento de capacidades via brinquedos, apps e programas. Por esta razão, deram ao artigo o título Brain training for kids: adding a human touch.

Entre os estudos analisados, as pesquisadoras citam um que foi feito com crianças de 2 anos: quando engajadas numa conversação fluida, tanto presencial quanto via videoconferência, elas aprenderam perfeitamente duas novas palavras que lhes foram apresentadas; mas quando essas palavras foram apresentadas num vídeo, sem interação, o aprendizado foi nitidamente inferior.
A interação humana tem uma função no próprio desenvolvimento cerebral, segundo as pesquisas. Ajuda a desenvolver o chamado controle proativo, resultado de “mecanismos neurais no córtex pré-frontal, que colhem informações do ambiente e permitem inferir o que deve acontecer em seguida”.
O suporte do adulto, ou ao menos de uma pessoa mais madura que a criança, seria o motor desse mecanismo, com interações que permitem trocas divertidas, que favorecem o aprendizado.
“Se os humanos aprendem por meio de um cérebro socialmente sensível, e há muitas evidências disso, então o melhor treinamento cerebral para crianças deve ser por meio da interação humano-humano”, escrevem as autoras, acrescentando uma observação: é justamente essa interação que é “tipicamente sacrificada” quando a criança se senta sozinha com um “brinquedo de treinamento cerebral”.
David Moisés
Leia também no livro:
Pós-graduação para crianças .......... p.245
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